
Credo ut intelligam. Era assim que dizia outrora Santo Anselmo quando falava de Deus e dos seus insondáveis caminhos e é assim que dizem agora os seculares crentes quando falam de Ahmadinejad e das suas insondáveis intenções. Num pacato país onde não há homossexuais, obviamente não haverá armas nucleares. Afinal, é tudo apenas para fins pacíficos, já se sabe. Vá, americanos e israelitas, não comecem com conspirações. Só porque Ahmadinejad gostaria de ver a «entidade sionista» varrida do mapa? Só porque o Irão tem tão brutais reservas petrolíferas que a necessidade de energia nuclear para fins pacíficos é aí um tanto ou quanto bizarra? Só porque há documentos que falam de um Irão bem sucedido no enriquecimento de urânio e na extracção de plutónio a uma escala laboratorial, o que parecem ser dois bons trilhos para uma arma nuclear? Isto é, só porque Ahmadinejad mente descaradamente e a realidade desmente as nossas tão nobres e gentis crenças? Isso não é suficiente para desatar a cuspir bombas em cima de um povo que, ainda por cima!, fala farsi, que é uma tão rica língua. Vamos esperar. Umas resoluções e tal, uns encontros diplomáticos cheios de pompa e ridículo, e logo se vê. Se Israel for bombardeado, se uma bomba nuclear iraniana reduzir a pó toda a «entidade sionista», então sim, orando nos escombros de Telavive e pelas volatilizadas almas israelitas, daremos razão a quem previu que isso aconteceria se não fizéssemos nada. Mas, vejamos bem, Israel só terá razão contra Ahmadinejad se o Irão varrer Israel do mapa. De outra forma, se se prevenir, já terá abusado da nossa paciência. Por isso, para que Israel tenha, de facto, razão, é preciso que um novo Holocausto, um «Holocausto voador» extermine Israel. Temos de esperar para ver, certo? Não é delicioso e enternecedor ter razão assim? E não é estúpido?
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