
É uma verdade de la Palisse a mediocridade, a merdiocridade da televisão portuguesa. Não lhe dedicarei, portanto, muitas linhas, tomando como dado adquirido que, mesmo sem lermos Ramonet ou Levinson, isso será consensual. Nos dias que correm, porém, não consigo deixar de sentir por ela um carinho agradecido. Mesmo nos seus momentos de violência mais ostensiva. Digo isto porque, convivendo com o tipo de televisão que me calhou em sorte, pude ser criança. Sem mais. Sem nenhum adjectivo. Criança. E digo isto também porque, há pouco tempo, descobri http://www.pmw.org.il/. Aí encontramos um pouco de tudo o que os media nos países árabes andam a fazer. É todo um tenebroso mundo orwelliano de ódio e de cultura tanática (para usarmos um termo caro a Freud). O post é o de um vídeo (Al-Manar TV, Junho de 2002) do Hezbollah apelando as crianças para a Chahada (ou Shahada, do árabe: الشهادة, «testemunho»), que é a profissão de fé dos muçulmanos e o primeiro dos cinco pilares do Islão (arqan al-Islam). Desde jogos de vídeo a manuais escolares, passando por séries televisivas à maneira das nossas telenovelas, há de tudo um pouco para doutrinar e formatar a cabeça das crianças muçulmanas para a judeofobia e o antiamericanismo. Não será isto pedofilia? Ainda que suave, mas, ainda assim, pedofilia? E não será preferível ter de aturar os casacos do Goucha e as suas dolorosas manhãs televisivas na TVI? Obrigado, televisão portuguesa, por não teres tornado o meu Tom Sawyer - e, com ele, talvez por mimese, eu próprio - um bombista-suicida. Já vimos que o Mickey, coitado, tem, afinal, genuína simpatia pela causa palestiniana e é, por isso, um anti-semita convicto. Claro que os problemas do Médio Oriente se resumem ao facto de Israel não querer, ao seu lado, um Estado palestiniano soberano. A vontade árabo-islâmico-palestiniana de erradicar Israel da superfície do planeta não tem, como é óvio, nenhuma ligação directa com esses problemas. Olhem só para as criancinhas árabes e para a ternura com que elas são educadas.
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