
Ahmadinejad, Mahmoud: promoverá um seminário científico de dois dias acerca das duas maiores verdades históricas que o Ocidente não quer que se saiba. No primeiro dia: «O Holocausto nunca aconteceu»; e no segundo dia: «Irão democrático e embaixador da paz mundial». Nuno Rogeiro recusará estar presente e Ahmadinejad apresentará um atestado de esquizofrenia para provar ao mundo democrático ocidental que, nesse seminário, haverá lugar para o contraditório.
Bento XVI: pronunciará um discurso sobre as origens essénicas do cristianismo, o que, obviamente, será visto como uma ostensiva provocação ao Islão, sendo, portanto, atribuído, na «rua árabe», à Mossad. Bandeiras do Vaticano e de Israel são queimadas ao som de fatwas estridentes. No Prós e Contras dedicado ao tema, Miguel Portas atribuirá a crise despoletada à falta de sensibilidade do Papa, fará um trocadilho pseudo-espirituoso sobre Nazinger, finalizando, ao andor de palmas, com uma crítica enigmática a Samuel Huntington.
Europa(-Pátria-dos-Direitos-Humanos): aguardará com grande expectativa as negociações por si propostas entre países e organizações «militantes» muçulmanos e o «fascista camuflado» Estado de Israel. As negociações não chegarão a realizar-se em 2007, uma vez que, apelando ao cumprimento do putativo Direito Internacional, é marcada uma reunião para Março com vista a eleger os países que deverão formar uma Comissão de Negociação para o Médio Oriente (CNMO) na qual se delegarão, legitimamente, poderes e competências a 5 países europeus com vista à marcação da primeira reunião extraordinária da CNMO para Julho, da qual sairá uma proposta de pontos de negociação a ser aprovada pela própria CNMO em Setembro. A proposta é aprovada por unanimidade pelos 5 países constituintes e uma nova reunião de leitura e aprovação da acta da reunião de Setembro é marcada para Dezembro, na qual se distribuem presentes alusivos aos países constituintes e se desejam mutuamente «Boas Festas» de modo a não ferir nenhuma susceptibilidade confessional nem o espírito laico de uma Europa que se quer tolerante em relação às diferenças religiosas que a constituem. Entretanto, uma nova reunião da CNMO é marcada para a Primavera de 2008 a fim de – e cito – «urgentemente, pôr termo à violência sionista na Faixa de Gaza».
Hamas: reunirá em sessão extraordinária com a seguinte ordem de trabalhos: 1) Leitura e aprovação da acta da reunião anterior em que se deliberou que Israel deve, de uma vez por todas, aceitar, democrática e pacificamente, os termos da sua própria e absoluta destruição; 2) Propostas de destruição do Estado de Israel; 3) PEEV: Plano de Execução de Estratégias de Vitimização para impressionar os europeus cujas capitais tencionamos aterrorizar e o próprio Ban Ki-moon, já que resultou com o Kofi Annan [gargalhada maquiavélica]; 4) Treino de crianças para «mártires» e «escudos humanos» até aos 9 anos de idade; 5) Outros assuntos de relevância altamente duvidosa postos à discussão apenas «para europeu ver»: a) democratização do mundo islâmico, b) desenvolvimento da «Palestina», c) igualdade de direitos para homens e mulheres. A acta é lida integralmente na Al-Jazeera e dirgida a Israel que, inexplicavelmente, recusa discuti-la, sendo acusado de falta de cooperação: «Mais uma vez, Israel está escandalosamente a sabotar um plano de paz irrecusável», poderá ler-se num comunicado do Hamas à imprensa.
Hezbollah: reunirá em sessão extraordinária com a seguinte ordem de trabalhos: 1) Leitura e aprovação da acta da reunião anterior em que se deliberou que Israel deve, de uma vez por todas, aceitar, democrática e pacificamente, os termos da sua própria e absoluta destruição; 2) Propostas de destruição do Estado de Israel; 3) PEEV: Plano de Execução de Estratégias de Vitimização para impressionar os europeus cujas capitais tencionamos aterrorizar e o próprio Ban Ki-moon, já que resultou com o Kofi Annan [gargalhada maquiavélica]; 4) Treino de crianças para «mártires» e «escudos humanos» até aos 9 anos de idade; 5) Outros assuntos de relevância altamente duvidosa postos à discussão apenas «para europeu ver»: a) democratização do mundo islâmico, b) desenvolvimento da «Palestina», c) igualdade de direitos para homens e mulheres. A acta é lida integralmente na Al-Jazeera e dirgida a Israel que, inexplicavelmente, recusa discuti-la, sendo acusado de falta de cooperação: «Mais uma vez, Israel está escandalosamente a sabotar um plano de paz irrecusável», poderá ler-se num comunicado do Hezbollah à imprensa.
Iraque: sunitas e xiitas dar-se-ão um pouco melhor do que Democratas e Republicanos nos EUA. Só que Democratas e Republicanos insultar-se-ão melhor. Na Europa continuarão as metáforas do «atoleiro» e as comparações com o Vietname só para mostrarmos aos americanos que sabemos mais de História do que eles. E, apesar da recorrente actualização de números, voltará a apontar-se para o milhão o número de mortos iraquianos. Seja como for, aconteça o que acontecer, a culpa será sempre dos EUA e de Israel.
Irão: Ahmadinejad levará a sério a Resolução 1737 sobre o nuclear iraniano e, para prová-lo, estampá-la-á numa T-shirt. A Comunidade Internacional regozijará com esta séria assunção de responsabilidades por parte de Ahmadinejad e resolve pedir à China algumas dezenas de T-shirts iguais para uma fotografia de grupo.
Israel: imperdoavelmente, insistirá em continuar a existir e a defender-se de todos os que pretendem destruí-lo e varrê-lo da superfície do planeta, o que será visto, na Europa-Pátria-dos-Direitos-Humanos, como uma atitude de «inenarrável arrogância» e que contribuirá apenas para o recrudescimento da violência na região, legitimando, dessa forma, a Terceira Intifada. Petulantemente imune às irrebatíveis críticas vindas de toda a parte, com a desavergonhada excepção do Grande Satã norte-americano, Israel persistirá em permanecer uma democracia, ao arrepio da vontade do mundo, continuando a conferir, teimosamente, representação parlamentar aos árabes israelitas, fazendo do Knesset um lamentável espetáculo dantesco de pluralidade democrática, o que será igualmente imperdoável, pelo menos para qualquer pessoa minimamente conscienciosa que não acredite na treta do Holocausto e que não tenha nem corninhos na cabeça nem caudas diabólicas a sair do rabinho. Israel trocará ainda umas boas centenas de prisioneiros palestinianos por um único Gilad Shalit, prova irrefutável do infinito desprezo pela vida humana por parte dos israelitas.
Líbano: ver Hezbollah, Irão e Síria. A sério, todo o Líbano de 2007 estará contido aí.
Mossad: será responsável por todos e todo o tipo de atentados que ocorrerão durante 2007, incluindo terramotos, tsunamis, acidentes de viação e os diálogos de Morangos Com Açúcar.
Nasrallah, Hassan: ver Hezbollah, mas aos berros.
ONU: Ban Ki-moon lembrará, de forma imprudente, que a Organização que agora preside é filha do Holocausto e que o tratamento faccioso atribuído a Israel tem de acabar, questionando, igualmente, os lugares da China, da Argélia, da Arábia Saudita, do Azerbaijão, do Bangladesh, de Cuba, da Nigéria, do Paquistão, da Tunísia, etc., no novo Conselho dos Direitos Humanos da ONU. Kofi Annan, com a verticalidade que sempre o caracterizou, vem para os media dizer que readquiriu a consciência moral e o espírito crítico, e, para prová-lo, tosse desconfortavelmente quando alguém diz as palavras «Ruanda» ou «Darfur», assobia para o lado quando ouve a expressão «Petróleo por Comida», volta a criticar os EUA e chega mesmo a fazer algumas caretas.
Palestina: sem dar descanso à sua Intifada interna, a Fatah e o Hamas trocam acusações anti-sionistas. Surgirá um cartoon do Hamas onde Mahmoud Abbas surge a rezar diante do Muro das Lamentações com uma kippah na cabeça, trajando um kaftan e sussurrando: «Oy, oy! Auschwitz existiu», e, na manhã seguinte, um jornal ligado a Abbas publica um contra-cartoon onde se pode ver Ismail Haniya a cantar o Hatikvah em cima de um Merkava que esmaga todas as criancinhas palestinianas que encontra pelo caminho. A Europa-Pátria-dos-Direitos-Humanos confunde-se. Não saberá de que lado palestiniano se colocará desta vez até que um intelectual francês se lembrará de forjar a expressão «os palestinianos dos palestinianos» para se referir a essa luta fratricida, conseguindo assim vitimizar ambos os lados sem responsabilizar nenhum. Os palestinianos e os europeus soltarão um grande «ufff!» e voltarão, de consciência limpa, a criticar Israel pela situação na Faixa de Gaza.
Portugal: é revelado o resultado do concurso “O Maior Português” e vence Vasco da Gama. Maomé não aparece nos 100 primeiros. Em Beirute, em Teerão, em Bagdad, em Damasco, na Faixa de Gaza e em tutti quanti são queimadas bandeiras de Espanha e, obviamente, de Israel.
Saddam Hussein: surpreendentemente, continuará morto.
Síria: continuará a fomentar a democratização do Líbano através do fornecimento de rockets para o Hezbollah, até que o Líbano se torne, finalmente, um país democraticamente unipartidário com capital em Damasco.
(7 de Janeiro de 2007)
Sem comentários:
Enviar um comentário