«Com o passar dos anos, as comunidades dos campos de refugiados, inteiramente dependentes da ajuda alimentar e educativa das Nações Unidas, entraram em estado de revolta. Só podiam». Estas palavras são de Miguel Portas, no seu livro No Labirinto, sobre o Líbano. Chegamos sempre a este ponto, como já vimos. Os palestinianos são sempre vítimas. Só podiam fazer o que fizeram e nada mais: só podiam, ainda uma vez. O fatalismo da lei da necessidade reside, justamente, aí. E é absolutamente tentador. Como num célebre exemplo de Espinosa sobre uma pedra atirada que, ignorando as causas do seu movimento aéreo, se julga livre, dir-se-ia, levando o argumento de Miguel Portas ao seu delicioso nec plus ultra da desresponsabilização, que a causa das pedras palestinianas lançadas contra os tanques israelitas são os próprios tanques israelitas contra os quais as pedras embatem. As pacíficas e espinosistas mãos palestinianas são meros títeres jogados por ocultas e, nesse sentido, israelitas mãos. Se virmos bem, os palestinianos nem sequer existem, são apenas peças israelitas na enorme engrenagem autofágica israelita. No fundo, como qualquer comédia de Shakespeare nos ensinaria de uma só penada mordaz, os israelitas são gente muito bizarra. Ultimately, estamos perante tanques que atiram pedras a si próprios e autocarros que se explodem a si mesmos. No fundo, ainda uma vez, através de um movimento muito similar ao do «desassossego dialéctico» (anodetizado) de Hegel, Israel está, desde a sua criação, em guerra consigo próprio. A sua história não é outra, afinal, senão a história da sua própria auto-destruição. Ou, ainda hegelianamente: «Israel morreu». sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Israel morreu
«Com o passar dos anos, as comunidades dos campos de refugiados, inteiramente dependentes da ajuda alimentar e educativa das Nações Unidas, entraram em estado de revolta. Só podiam». Estas palavras são de Miguel Portas, no seu livro No Labirinto, sobre o Líbano. Chegamos sempre a este ponto, como já vimos. Os palestinianos são sempre vítimas. Só podiam fazer o que fizeram e nada mais: só podiam, ainda uma vez. O fatalismo da lei da necessidade reside, justamente, aí. E é absolutamente tentador. Como num célebre exemplo de Espinosa sobre uma pedra atirada que, ignorando as causas do seu movimento aéreo, se julga livre, dir-se-ia, levando o argumento de Miguel Portas ao seu delicioso nec plus ultra da desresponsabilização, que a causa das pedras palestinianas lançadas contra os tanques israelitas são os próprios tanques israelitas contra os quais as pedras embatem. As pacíficas e espinosistas mãos palestinianas são meros títeres jogados por ocultas e, nesse sentido, israelitas mãos. Se virmos bem, os palestinianos nem sequer existem, são apenas peças israelitas na enorme engrenagem autofágica israelita. No fundo, como qualquer comédia de Shakespeare nos ensinaria de uma só penada mordaz, os israelitas são gente muito bizarra. Ultimately, estamos perante tanques que atiram pedras a si próprios e autocarros que se explodem a si mesmos. No fundo, ainda uma vez, através de um movimento muito similar ao do «desassossego dialéctico» (anodetizado) de Hegel, Israel está, desde a sua criação, em guerra consigo próprio. A sua história não é outra, afinal, senão a história da sua própria auto-destruição. Ou, ainda hegelianamente: «Israel morreu».
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