quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Cartoontologia II

Eis a diferença. A liberdade de expressão consite, justamente, em dizer algo que poderá ofender profundamente as convicções de outro. O Ocidente é incompreensível sem esse potentíssimo fenómeno. Também o Ocidente já foi intolerante em relação à crítica e ao escárnio. Aqui, no Ocidente democrático, a ofensa pode mesmo ser punida em sede própria: os tribunais. Mas suspeito que há ainda lugares neste mundo em que a liberdade de expressão dos ocidentais exercida em terras ocidentais merece o tratamento mais bárbaro. Ofendeste-me, não tolerarei, não me interessa sequer «discutir» (verbo claramente ocidental): tenho de matar-te. Por cada cartoon uma bomba, uma granada, um tiro, uma pilhagem. A lógica da exemplar reacção de grande parte do mundo muçulmano aos cartoons de Maomé é mais ou menos esta: «Ai de ti que me chames nomes, ó grandessíssimo filho da puta!»

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