quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sim, mas repara... dizer «iSSrael» não é homofóbico!

Ontem li no blog de Daniel Oliveira, «Arrastão», algo que me intrigou. Não é altura de discutir as suas posições em relação ao conflito israelo-palestiniano. Fica para outra ocasião. O que me intrigou foi o seguinte: o blog em questão tem uma política de aprovação de comentários que deve obedecer a critérios. Até aqui tudo bem. Pode ler-se que não serão aprovados comentários: «1 - De teor racista ou homofóbico ou que façam a apologia do fascismo ou do nazismo». Nada mais justo, ao que parece. Leio também, no entanto, que foi «aprovado» o seguinte comentário: «Israel não é um estado, é um roubo de terras acompanhado de um genocídio lento e de uma bantustização apartheidesca por racistas e fundamentalistas nazi-sionistas. Esse tumor maligno para a paz mundial deve ser erradicado do Médio Oriente e a Palestina do Jordão ao mar, de Eilat a Kiriat Shmone, deve voltar a ser o que sempre foi antes da Nakba: um país livre para muçulmanos, judeus e cristãos de boa vontade, uma sociedade multicultural e democrática sem a peste sionista. O lugar dos nazi-sionistas é na forca, como os seus modelos nazis». Ou seja, não será aprovado nenhum comentário de apologia ao nazismo como «Heil Hitler!», mas pode ser aprovado um comentário que chame «nazi» ao Estado de Israel? Se um neonazi comentar no blog de Daniel Oliveira que os judeus devem ser todos exterminados (judenrein, era assim que se dizia na Alemanha nazi), não será aprovado; mas se um «Euroliberal» qualquer comentar que o Estado de Israel deve desaparecer (judenstaatrein, diríamos nós), então já merece aprovação? Um nazi-anti-nazi pode escrever no «Arrastão». Hmmmmmmm... Será que teria sido aprovado se, em vez de apelar à morte de Israel, tivesse chamado a Israel «Estado de paneleirotes»? Anti-sionismo ignorante, tudo bem; homofobia é que não! Atenção. Não estou a discutir simples critérios de aprovação de comentários num determinado blog. Estou a discutir, a partir deles, critérios de discussão de um problema. Ao que parece, um dos mais sérios do mundo contemporâneo.

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