A questão do nuclear iraniano não cessa de demonstrar o laboratório de antiamericanismo em que as elites francesas se tornaram. A culpa é sempre de Bush. E o que não for culpa de Bush, é ainda culpa de Bush. Como explicam estes cérebros franceses a difícil questão de um Presidente que ameaça de extinção um Estado soberano? Nas palavras de Alain Gresch, no Le Monde Diplomatique: «Il [Ahmadinejad] a trouvé, en M. George W. Bush, un partenaire idéal : en diabolisant l’Iran, en l’inscrivant dans la courte liste des pays de l’« axe du Mal », en n’écartant pas une option militaire contre le programme nucléaire, le président américain renforce les courants les plus durs à Téhéran. En agitant la menace d’un prétendu « croissant chiite » qui, de l’Irak au Liban, menacerait la stabilité de la région, le président américain introduit les ingrédients d’une guerre confessionnelle aux conséquences incalculables». Portanto, o que quer que venha a acontecer, a conclusão está sentenciada: a culpa será, não do ameaçador, mas do que enfrentar a ameaça. Academicamente, desconfiar de Bush é sempre louvável. Mesmo para aqueles que se preocupam em trancar à chave a porta de casa. sexta-feira, 11 de abril de 2008
O burro europeu e a cenoura iraniana
A questão do nuclear iraniano não cessa de demonstrar o laboratório de antiamericanismo em que as elites francesas se tornaram. A culpa é sempre de Bush. E o que não for culpa de Bush, é ainda culpa de Bush. Como explicam estes cérebros franceses a difícil questão de um Presidente que ameaça de extinção um Estado soberano? Nas palavras de Alain Gresch, no Le Monde Diplomatique: «Il [Ahmadinejad] a trouvé, en M. George W. Bush, un partenaire idéal : en diabolisant l’Iran, en l’inscrivant dans la courte liste des pays de l’« axe du Mal », en n’écartant pas une option militaire contre le programme nucléaire, le président américain renforce les courants les plus durs à Téhéran. En agitant la menace d’un prétendu « croissant chiite » qui, de l’Irak au Liban, menacerait la stabilité de la région, le président américain introduit les ingrédients d’une guerre confessionnelle aux conséquences incalculables». Portanto, o que quer que venha a acontecer, a conclusão está sentenciada: a culpa será, não do ameaçador, mas do que enfrentar a ameaça. Academicamente, desconfiar de Bush é sempre louvável. Mesmo para aqueles que se preocupam em trancar à chave a porta de casa. Os comunistas e o terrorismo da não-violência
quinta-feira, 10 de abril de 2008
11 de Setembro de 2001 de 1984

Os seres humanos são capazes das conversas mais interessantes. Numa conversa sobre futebol, somos capazes de conseguir falar do Bynia; numa conversa sobre literatura, somos capazes de conseguir falar do Saramago; numa conversa sobre democracia, somos capazes de conseguir falar do comunismo - enfim... A partir do momento em que dois seres humanos se juntam para falar, tudo é possível. Foi o que aconteceu ontem comigo e com uma queridíssima e inteligentíssima amiga. Sempre que temos oportunidade, discutimos sobre praticamente tudo. Ontem, no entanto, aconteceu algo de que não estava à espera. Veio à baila o 11 de Setembro. Um estranho 11 de Setembro, porém, que, ao que parece, começou já a espalhar-se por este nosso sempre tão deliciosamente panglossiano planeta azul. Depois do 11 de Setembro de 2001 a que eu assisti (terei mesmo assistido, Morfeu?), há agora um novo 11 de Setembro, des-matrixizado finalmente para nós, incautos: o 11 de Setembro de 2001 de 1984. Um 11 de Setembro orwelliano, portanto. Ao que parece, afinal o 11 de Setembro terá sido obra, não da Al-Qaeda de Bin Laden (por muito que o barbudo diga e reivindique), mas dos busheviques, isto é, obra «de dentro». Uuuuuuuh! a CIA e isso... Já sei, da CIA, da Mossad e do Pato Donald, todos em conluio! Pelos vistos, circula por aí um «documentário» que «prova» «cientificamente» a falsidade da narrativa oficial do 11 de Setembro. Evidentemente, já o vi. Evidentemente, achei-o pobrezito, mesmo como propaganda. Há já tanto por aí publicado que se deu ao trabalho de refutar todas as ditas teses dessas teorias da conspiração (uma teoria da conspiração é sempre uma filosofia para mentecaptos, Kant para idiotas). Mas, eu sei..., tratando-se dos EUA de Bush, há que desconfiar. Sempre. A guerra e isso... O petróleo e os interesses económicos... O grande capital finaceiro... Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz... Vamos cá ver uma coisa: podemos duvidar do que quisermos, mas temos de ser imunes à estupidez. Acaso terei de contra-argumentar? Serei obrigado a refutar racionalmente cada uma das «teses» do dito documentário? Se um louco se esforçar por me demonstrar que, afinal, o geocentrismo é a ciência correcta e não (como pensava o pobre Copérnico e, por causa dele, o mundo inteiro) o heliocentrismo, deverei eu contra-argumentar? Não, não devo. Já li muito Wittgenstein para me sujeitar a isso. Que virá a seguir? Sermos obrigados a dar atenção racional à astrologia e à quiromancia, a fim de podermos rebatê-las? Já agora, e um documentáriozito assaz científico sobre Vilar e Perdizes, que dizem? Que se diz a esses doutores Xibangas do 11 de Setembro? Não há no mundo racionalidade bastante para Habermas. Não é a suposta ciência que dá tanta credibilidade a esse «documentário», é o nosso sempre reguila antiamericanismo. Sempre pronto para fazer cenas. Para se ridicularizar. Volto a dizer, na medida em que não me parece uma ideia completamente estapafúrdia: podemos duvidar do que quisermos, mas temos de ser imunes à estupidez.
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